IAG - Instituto Adriana Garófolo

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 Câncer

Incidência, Definição e Tratamento

Uma estimativa de mais de dez milhões de pessoas são diagnosticas com câncer a cada ano e mais de seis milhões morrem da doença, representando cerca de 12% de todas as causas de mortes no mundo. Projeções para 2030 indicam que essas taxas irão dobrar. O câncer parece aumentar mais rapidamente do que o aumento da população global, tornando-se uma doença mais comum em países desenvolvidos, mas crescendo mais em número e em relação a outras doenças nos demais países. Embora as maiores taxas de incidência de câncer sejam encontradas em países desenvolvidos, dos dez milhões de casos novos anuais de câncer, cinco milhões e meio são diagnosticados nos países em desenvolvimento.

Câncer não é apenas uma doença, mas muitas doenças. Câncer é um termo genérico utilizado para o crescimento de células anormais (indiferenciadas) que se dividem sem controle e são capazes de invadir outros tecidos. Células malignas podem espalhar-se para outras partes do corpo por meio do sangue e do sistema linfático. Existem mais de 100 diferentes tipos de câncer. A maioria dos cânceres são nomeados de acordo com órgão e o tipo de célula onde tem origem - por exemplo, o câncer que se inicia no cólon é chamado de câncer de cólon; um câncer de origem em células basais da pele é chamado de carcinoma basocelular.

Os tipos de câncer podem ser agrupados em categorias mais amplas. As principais categorias de câncer incluem:

Carcinoma - câncer que se inicia nos tecidos epiteliais que revestem os órgãos.
Sarcoma - câncer que se inicia no osso, cartilagem, gordura, músculo, tecido conectivo, etc.
Leucemia - câncer que se inicia nas células do sangue, formando tecido como a medula óssea e gerando um grande número de células sanguíneas anormais que irão circular no sangue.
Linfoma e mieloma - cânceres que começam nas células do sistema imunitário.
Cânceres do sistema nervoso central - cânceres que começam nos tecidos do cérebro e medula espinhal.

No câncer, a própria doença e seu tratamento podem afetar significativamente as necessidades nutricionais do paciente. Podem ser alteradas a sua capacidade de absorção dos nutrientes, o seu comportamento face ao ato de alimentar-se e pode haver uma eventual interação entre a alimentação e a medicação utilizada.

 Tratamentos contra o câncer e seus efeitos colaterais
 sob o aspecto nutricional

Pacientes com alguns tipos de câncer, como os cânceres de cabeça, pescoço, estômago, pâncreas, entre outros, podem se desnutrir, muitas vezes pela própria doença. Cuidados com a nutrição devem, portanto, começar antes do tratamento. Se o paciente está desnutrido antes da cirurgia, por exemplo, pode haver complicações durante a recuperação, tais como cicatrização deficiente ou infecção.

Após a cirurgia o corpo necessita de mais energia e proteínas para a cicatrização e recuperação. Nestas situações, os pacientes também podem apresentar dor e fraqueza muscular. Muitas vezes não são capazes de realizar uma alimentação normal devido aos procedimentos cirúrgicos e ao efeito colateral dos medicamentos utilizados. A capacidade de mastigação, deglutição, digestão e absorção de alimentos e nutrientes também pode estar alterada pelas cirurgias de ressecção de parte da boca, esôfago, estômago, intestino delgado, cólon ou reto.

 Cirurgia

Cirurgia envolvendo órgãos do sistema digestivo pode diminuir sua capacidade funcional e pode retardar a digestão dos alimentos. A remoção de parte do estômago pode causar sensação de saciedade antes mesmo do alimento ser consumido. Cirurgia no estômago também pode causar a "Síndrome de Dumping" (esvaziamento rápido do estômago levando o alimento para o intestino antes de ser digerido).

Alguns dos órgãos do sistema digestivo normalmente produzem hormônios importantes e substâncias químicas que são necessárias para a digestão. Se a cirurgia afeta esses órgãos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais da dieta convencional podem não ser absorvidos pelo organismo. Além disso, os níveis de açúcar, sal e líquidos podem entrar em desequilíbrio.

A seguir, estão descritos os efeitos colaterais comuns após algumas cirurgias de ressecção tumoral realizadas em diferentes localizações do corpo:

● língua: dificuldade para mastigar e engolir, alterações do paladar, boca seca, perda de apetite e fadiga;
● mandíbula: dificuldade para mastigar, alterações do paladar, perda de apetite, fadiga e boca seca;
● esôfago: azia, indigestão, sensação de saciedade ou empachamento ao comer, dificuldade para engolir, perda de apetite e fadiga;
● estômago: sensação de saciedade ao comer, acidez estomacal, intolerância às gorduras, intolerância ao leite, diarréia grave, perda de apetite e fadiga;
● intestino delgado (ressecção): diminuição da absorção de nutrientes, intolerância às gorduras, intolerância ao açúcar do leite (lactose), diarréia, desidratação, flatulência, cólicas, constipação, perda do apetite e fadiga;
● cólon (ressecção): alimentos passam pelo trato digestivo de forma mais rápida (menor tempo de trânsito), diarréia, desidratação, inchaço, flatulência, cólicas, diminuição da absorção de nutrientes, constipação, perda do apetite e fadiga;
● reto (ressecção): aumento da pressão retal, constipação, perda do apetite e fadiga;
● pâncreas: perda do apetite, fadiga, intolerância às gorduras, constipação, inchaço, flatulência e elevação do teor de açúcar no sangue;
● pulmão: falta de ar, perda de apetite, fadiga e sensação de saciedade ao comer.
● mama: fadiga, alteração do apetite, inchaço do braço e mão e limitação da movimentação do ombro e do braço;
● próstata: mudanças nos hábitos de urinar, fadiga e perda de apetite;
● cérebro: alterações do apetite e sono (se sob medicação esteróide), náuseas, vômitos e fadiga;
● ginecológica (ovário, útero, cervical): fadiga, perda de apetite, sensação de saciedade ao comer, inchaço e flatulência.

 Radioterapia

Na radioterapia a radiação de alta energia de raios-x (ou outros tipos de radiação) é emitida contra a parte do corpo com câncer, inibindo o crescimento e divisão das células anormais. Embora todas as células sejam afetadas pela radiação, na maioria das vezes as células normais podem recuperar-se. Dois tipos de radioterapia podem ser administrados: a teleterapia (convencional) que usa fonte emissora distante do paciente e a braquiterapia, com fonte emissora próxima do paciente, a qual usa substâncias radioativas que são colocadas diretamente no câncer ou próximo dele.

A radioterapia consiste, usualmente, em tratamentos com frequência de 5 dias por semana, ao longo de 2 a 9 semanas. O uso da radiação pode causar efeitos colaterais, o que depende da área do corpo a ser irradiada, o tamanho desta área, a dose total de radiação, bem como o número de sessões. Os efeitos colaterais geralmente começam em torno da segunda ou terceira semana de tratamento e apresentam pico em cerca de dois terços do percurso do tratamento. Após a radioterapia, a maioria dos efeitos colaterais dura de 2 a 3 semanas, mas alguns podem durar mais tempo.

Radioterapia na cabeça e pescoço pode causar anorexia, alterações no paladar, secura na boca, inflamação e lesões na boca e gengivas, dificuldades para engolir, espasmos do maxilar, cavidades e infecções.

Radioterapia em tumores de mama pode causar infecção no esôfago, dificuldades para engolir, refluxo esofágico, náuseas e vômitos.

Radioterapia no abdome ou pelve pode causar diarréia, náuseas, vômitos, lesões e inflamação intestinal ou de reto e fístulas no estômago ou intestinos. Efeitos a longo prazo podem incluir estreitamento do intestino, inflamação crônica do intestino, má absorção dos nutrientes e/ou obstrução do estômago ou intestino.

A radioterapia também pode causar cansaço, o que pode levar a uma redução do apetite e da vontade de comer. Os doentes que recebem alta dose de radiação ou em transplante de medula óssea imperativamente precisam consultar um profissional para apoio nutricional.

 Quimioterapia

A quimioterapia envolve tratamento com drogas agressivas que destróem as células cancerígenas. As drogas são mais comumente administradas por via oral ou por meio de infusões na corrente sanguínea. A quimioterapia pode causar danos tanto às células tumorais quanto às células saudáveis. As células mais suscetíveis a sofrerem lesões são as da medula óssea, capilares e do revestimento do trato digestivo, da boca até o reto e ânus.

Os efeitos adversos ou colaterais dependerão do tipo de quimioterapia e de como será administrada. Com o aparecimento de alguns desses efeitos, o paciente pode encontrar dificuldades de ingerir,tolerar, digerir e/ou absorver nutrientes necessários para uma recuperação saudável. São comuns os seguintes efeitos colaterais da quimioterapia relacionados com a nutrição: perda de apetite, mudanças no paladar e olfato, inflamações ou úlceras na boca, náuseas, vômitos, mudanças nos hábitos intestinais, fadiga e redução na contagem de leucócitos (células brancas) do sangue, com aumento do risco de infecções.

 Sistema imunológico debilitado

A doença e o seu tratamento podem enfraquecer o sistema imunológico do organismo, afetando as células do sangue que nos protegem contra as doenças e microrganismos (bactérias, fungos e vírus). Como resultado, o organismo pode não conseguir lutar adequadamente contra as infecções, as substâncias estranhas e as doenças da mesma forma que uma pessoa saudável.

Durante o tratamento contra o câncer, portanto, haverá certos períodos em que o organismo não será capaz de protegê-lo. Embora o seu sistema imunitário esteja em recuperação, pode ser necessário evitar a exposição à situações e agentes de maior risco, por isso, necessitando cuidados especiais com a alimentação.

 Transplantes de medula óssea ou de células progenitoras

Quimioterapia, radioterapia e medicamentos utilizados no processo de transplante de medula óssea podem causar efeitos colaterais que impedem o paciente de se alimentar e/ou digerir e/ou de absorver os nutrientes dos alimentos como habitual. Estes efeitos colaterais incluem alterações no paladar, xerostomia, saliva espessa, úlceras na boca e garganta, náuseas, vômitos, diarréia, constipação, falta de apetite e ganho de peso.

Pacientes transplantados também têm um risco muito elevado de infecção. As altas doses de quimioterapia e radioterapia reduzem o número de glóbulos brancos, células que combatem as infecções.

Pacientes submetidos ao processo de transplante necessitam de proteínas e energia suficientes para tolerar e recuperar-se a partir do tratamento, prevenir a perda de peso, combater as infecções e manter a saúde geral. O aporte nutricional é também desejado para evitar uma possível infecção por bactérias nos alimentos.

O emprego da nutrição parenteral (alimentação através da corrente sanguínea) durante as primeiras semanas após o transplante é fundamental, a fim de garantir ao paciente a ingestão de calorias, proteínas, vitaminas, minerais e fluídos necessários para uma boa saúde.

Os pacientes de transplante de medula óssea e transplante de células estaminais tem necessidades nutricionais especiais. Transplantes de medula óssea e transplantes de células-tronco são métodos de substituição de células formadoras de sangue destruído pelo tratamento do câncer com altas doses de quimioterapia ou radioterapia. As células estaminais (células imaturas) são retiradas da medula óssea do paciente ou de um doador e são congelados para armazenamento. Após a quimioterapia e a radioterapia as células estaminais são descongelados e devolvidas ao paciente através de uma perfusão. Em um curto espaço de tempo, estas células estaminais reintroduzidas desenvolvem-se em células sanguíneas, promovendo a restauração do organismo.

 Imunoterapia

Imunoterapia é o tratamento que utiliza o sistema imunitário do próprio paciente na luta contra o câncer. Substâncias produzidas pelo corpo ou desenvolvidas em laboratório são utilizadas para dinamizar, dirigir ou restaurar as defesas naturais do organismo contra o câncer. Este tipo de tratamento é também chamado Terapia Biológica ou "Biotherapy".

Os seguintes efeitos colaterais relacionados com a nutrição são comuns durante a imunoterapia: febre, náuseas, vômitos, diarréia, anorexia e cansaço. Se os efeitos colaterais da imunoterapia não são tratados, podem ocorrer perda de peso e desnutrição. Estas condições podem causar complicações durante a recuperação, tais como má cicatrização ou infecção.

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