|
|
O tratamento oncológico
é a arma para combater o câncer. Quimioterapia, radioterapia,
cirurgia, terapias hormonais e imunossupressoras e transplante de
medula óssea ou a combinação destes tratamentos, entre outros, são
os principais meios para essa batalha.
Entretanto, o
tratamento, apesar de combater o tumor, pode ter um impacto negativo
sobre o organismo do indivíduo. É neste contexto que a boa nutrição,
por meio de uma alimentação adequada e balanceada para cada
indivíduo, dependendo do processo a que está submetido, pode
auxiliar na prevenção dessas alterações causadas pela doença e seu
tratamento. É por esse motivo que
uma alimentação adequada e balanceada para cada indivíduo, que
depende do processo a que está submetido, pode auxiliar na prevenção
e tratamento dessas alterações causadas pela doença e sua terapia.
Para a aplicação da ciência da nutrição clínica neste contexto
faz-se necessário conhecimentos mais específicos, como o
aprofundamento dos aspectos da bioquímica, do metabolismo e da
genética, que estão intimamente ligados com as áreas da nutrição e
do câncer. Não há como se falar, na atualidade, em avaliação
nutricional, sem que sejam considerados também indicadores
clínico-metabólicos e bioquímicos. O profissional responsável pela
terapia nutricional do paciente deve saber indicar, quando solicitar
e como interpretar exames para uma avaliação metabólico-nutricional
adequada. Neste aspecto, o
paciente deve estar atento à necessidade de ter um atendimento
nutricional especializado e exigir que em seu tratamento sejam
incluídas as orientações nutricionais pertinentes às suas
dificuldades do momento. Somente profissionais com preparo em
nutrição clínica aplicada à oncologia poderão avaliar, diagnosticar
e tratar corretamente essas alterações, considerando as
particularidades da doença.
Por isso é fundamental
que profissionais interessados no manejo de pacientes com câncer
estejam atentos à necessidade de aquisição de conhecimentos para o
sucesso no cotidiano de sua profissão.
O
Profissional da Nutrição e o Paciente com Câncer
Os cursos do IAG são voltados para os profissionais habilitados em
nutrição que queiram ou necessitem especializar-se em nutrição para
pacientes com câncer. São, entre outros, o profissional
nutricionista, o enfermeiro e o médico. Os cursos visam familiarizar
e habilitar estes profissionais a interagir com o problema,
dando-lhes condições de trabalhar adequadamente com o paciente
oncológico.
O grande obstáculo para
o profissional nesta área é o entendimento da fisiopatologia da
doença e das suas complicações para que se possa aplicar a terapia
nutricional adequada. A oncologia é uma ciência difícil devido à
própria complexidade da doença e porque cada tipo e subtipo de
câncer apresenta comportamento biológico distinto. Além disso, o
paciente com câncer já apresenta um organismo fragilizado pela
doença, o que será agravado pelas complicações inerentes aos
tratamentos, e isto demanda aprimoramento no conhecimento dessa
fisiopatologia por parte do profissional envolvido.
É fundamental para o profissional responsável pelo manejo
nutricional do enfermo o conhecimento sobre interpretação de exames
de sangue, que revelam as condições da medula óssea do paciente com
câncer. Este atributo exige conhecimento específico e experiência na
área em questão.
Muitos pacientes com câncer sofrem com os efeitos colaterais do
tratamento. A quimioterapia, por exemplo, é um grupo de medicamentos
que atua de forma sistêmica, ou seja, entra na corrente sanguínea e
alcança todos os tecidos do organismo. Por isso, pode destruir
também as células saudáveis desses tecidos, provocando as
toxicidades ou falências orgânicas. Entre elas, as toxicidades mais
comuns são o comprometimento imunológico e os distúrbios de
coagulação, os distúrbios do trato gastrintestinal, renal e
hepático, entre outros.
A radioterapia, apesar de ser localizada, apresenta os efeitos da
irradiação sobre os tecidos e órgãos da área irradiada, podendo ter,
dependendo da dose e duração da exposição e período de tratamento
(número de sessões), efeitos similares à queimadura. Em regiões como
medula óssea, cabeça, pescoço, pelves e abdome, pode ter efeitos
muito negativos, comprometendo a imunidade, bem como ingestão,
digestão e absorção de nutrientes.
Mesmo outros tratamentos
têm efeitos negativos, apesar da sua ação no combate à doença. Por
isso, pacientes submetidos a essas terapias têm grande risco de
apresentar perdas importantes de nutrientes e alterações no
processamento e na utilização dos mesmos, com isso prejudicando sua
capacidade de defesa contra infecções e outras doenças, bem como a
capacidade de defesa contra o próprio câncer.
É por isso que a
nutrição enteral (pelo trato gastrintestinal) e parenteral (pela
corrente sanguínea) são estratégias largamente utilizadas para
assegurar e melhorar as condições nutricionais de pacientes com
câncer. Para o sucesso desse tipo de terapia a equipe que trata este
paciente deve estar muito bem treinada. Devido às dificuldades
relacionadas à própria doença e tratamento, o uso de terapia
nutricional em pacientes com câncer pode exigir maiores cuidados dos
profissionais. O benefício destas condutas para alimentação está
diretamente associado à capacidade do profissional de nutrição em
orientar e adequar o método para cada situação, bem como implantar
medidas adequadas de prevenção de complicações, controle e
acompanhamento da terapia.
O manejo deste tipo de
terapia exige um conhecimento específico, que compreende aspectos
que vão desde a indicação e contra-indicação do método/via,
prescrição e cálculo das necessidades nutricionais, avaliação das
condições hídricas e eletrolíticas do paciente, das condições
clínicas e metabólicas, das interações entre os próprios substratos
e elementos nutricionais administrados e com medicamentos, além do
controle das complicações da nutrição enteral e parenteral.
Tudo isso, somado à própria doença neoplásica, também leva
o paciente a um
estado debilitado com diminuição da capacidade física e motora,
interferindo diretamente na sua qualidade de vida. É neste contexto que a boa nutrição, por meio de uma alimentação
adequada e balanceada para cada indivíduo, dependendo do processo a
que está submetido, pode auxiliar na prevenção dessas alterações
causadas pela doença e seu tratamento. |